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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

*Smile*

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(Eugénio de Andrade)






R.

*Eu*


Eu, eu mesmo…
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu…
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças…
Que crianças não sei…
Eu…
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei…
Eu…
Tive um passado? Sem dúvida…
Tenho um presente? Sem dúvida…
Terei um futuro? Sem dúvida…
A vida que pare de aqui a pouco…
Mas eu, eu…
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu…
(Álvaro de Campos)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Serás sempre tu.....

O amor, quando se revela,
não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente

fica sem alma nem fala,

fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,

já não terei que falar-lhe

porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)







R.